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Esta foi a maior (e mais difícil) descoberta que eu tive em 2017.

Aos 5 anos de idade eu fui alfabetizada.

Não me lembro muito bem como era minha letra. Mas, com certeza, não era tão aplaudida pelos outros. Eram muitas as imperfeições. 

Dai em diante, comecei a fazer caligrafia. Ninguém nunca me forçou a isso, mas eu criei esta crença de que minha letra era imperfeita.

As letras de minha mãe e minha irmã são lindas, eu não entendia o por quê da minha letra ser tão "esquisita".

Comecei a fazer caligrafia. Alternava períodos de letra "perfeita", redondinha que nem do bloco de caligrafia, com períodos de letras "rebeldes", originais, minhas.

Até que, aos 9 anos de idade, finalmente defini minha letra. Não ia ser a minha, ia ser igual à do bloco de caligrafia.

Eu queria a perfeição.

Aos 13 anos de idade, eu fiz minha primeira via da carteira de identidade. A letra era impecável.

Até hoje olho para ela e me pergunto como tinha paciência de fazer algo tão "certinho".

Mas, em determinado momento, algo mudou.

Quer dizer, eu mudei.

No ensino médio, decidi que ia fazer minha letra do jeito que ela era. Menos redonda. Imperfeita, do jeito que dava.

Porém, não consegui que ela fosse 100% eu , tinham algumas normas sociais - tipo redação de vestibular - que me inibiam de colocar minha letra do jeito que ela sempre foi e do jeito que eu sou: imperfeita.

Não dava para me imaginar sendo punida por minhas imperfeições. Na minha cabeça, eu sempre tinha que fazer tudo perfeitamente.

Imagine viver 23 anos da vida com essa crença no seu inconsciente? 

Entrei na Universidade e minha letra passou a ser pura e simplesmente eu. Dava muito trabalho fazer tudo tão redondo e perfeito, para alcançar um resultado só para agradar aos outros. (pena que eu só pensei isso em relação à minha letra... muita coisa dentro da universidade demandava que eu pensasse assim e não foi isso que aconteceu... em algumas situações, eu tentei me encaixar).

Porém não é fácil ter uma letra tão sua cara.

Atualmente, minha caligrafia mistura letra cursiva, com um "S" de forma e um "r" igualzinho (quer dizer, parecido rs), ao que temos no computador (veja abaixo).  E isso é um problema em um mundo de normas.

Em 2017, eu fiz um concurso de redação que valia um prêmio. Sai da prova e falei com minha mãe: "Provavelmente não vou ganhar (não só pelo conteúdo ou desempenho dos demais candidatos), mas principalmente por conta da minha letra".

Quando eu estava passando a redação a limpo, eu me dei conta que não podia misturar letra cursiva com letra de forma e com fonte de computador rs .

Já tinha passado um bom trecho a limpo..."já era", pensei.

Mas fiquei bem com isso. Não dá mais para mudar a mim só para me encaixar em um mundo que não é meu.

O ano de 2017 foi extremamente revelador para mim, principalmente neste diagnóstico (nada fácil) que tive em relação ao perfeccionismo.

Eu me reconheci perfeccionista.

Eu tenho vários textos na aba de rascunhos porque, inconscientemente, eu os classifiquei fora do que seria ideal.

Eu já disse 'não' a algo que queria, só para não ser julgada como imperfeita.

O perfeccionismo cortou minhas asas em tanta coisa... Até na minha letra, dá  pra crer?

Sorte a minha que o amor pela escrita foi mais alto. Caso contrário, esse blog (e tudo que ele tem feito na minha vida) poderia nem ter existido. Dá para imaginar?

Não é algo fácil de encarar e talvez por isso também que tive dificuldade em compartilhar isto por aqui...

Só para você ter noção da profundidade do tema: Toda esta história que eu te contei sobre minha letra ilustra todo o processo mental que acontece aqui na minha cabeça.

Para mim, imperfeições são inaceitáveis. E o problema é quando isso é inaceitável não só por conta de você, mas principalmente por conta do que os outros vão pensar.

Hoje, eu percebo que a engenharia química, no modelo de ensino que temos atualmente, foi muito difícil para mim porque, na minha cabeça, se eu me esforçava tanto pela perfeição de notas (acima de 8 era o meu referencial de ideal), não fazia sentido eu ter resultados tão imperfeitos.

As notas baixas eram como críticas e crítica é extremamente difícil aos perfeccionistas.

Alguém um dia deve ter criticado minha letra. Eu não me lembro quem (e não me importa), mas, com certeza, criou em mim esta crença que eu precisava mudar minha caligrafia. Para uma pessoa que lutava tanto pela perfeição, a sua letra não poderia ser imperfeita.

E, diferentemente, da maioria dos meus textos, eu não tenho dicas a dar sobre isso. Nos meus outros textos, eu já vivi, superei e assim ganhei a coragem de falar com o mundo sobre o que fez sentido para mim.

Este texto é diferente.

Eu não tenho muito a dizer sobre como superar o perfeccionismo. Porque eu estou realmente ainda no início da jornada de como superá-lo. Antecipo que é difícil, mas tenho certeza que vou conseguir.

Decidi escrever este texto porque esta foi a maior descoberta que eu tive em 2017 e tenho certeza que mais pessoas estão nessa comigo. Em 2018, com certeza, eu vou escrever muito sobre esta jornada por aqui.

Uma autora que me ajudou/ajuda bastante é a Brené Brown. O seu livro  "A coragem de ser imperfeito" e o seu TED "O poder da Vulnerabilidade" são desafiadores pelo autoconhecimento que vai gerando, mas são muito esclarecedores e motivadores também.

Como diz a Brené Brown: hoje, "sou perfeccionista, aspirante a ser boa o bastante".

E eu decidi escrever este texto para dizer ao mundo que: Eu sou engenheira química, formada por uma universidade conceituada no Brasil, tenho trabalho, tenho uma família maravilhosa, já escrevi um livro e meu mundo não é perfeito (longe disso). Eu tenho defeitos. Tenho uma vida imperfeita. Com altos e baixos.

Eu, Ana, sou imperfeita.

(difícil demais escrever isto, mas foi o maior aprendizado do ano que passou)

Nunca tenha a mim (ou ninguém) como referencial de vida perfeita. Ninguém é perfeito. Incluindo você.

E que bom. É como meu gerente me diz: "Ana, se existisse perfeição, não faria sentido a melhoria contínua (algo que a gente vive a fundo na vivência prática da engenharia)".

E é verdade.

Respeite o seu tempo, seus limites, seus desafios. Você é o que devia ser. E o que tiver de melhorar, vá no seu tempo.

Não vamos esperar aplausos externos.

Tudo é bom do jeito que eu faço: com foco e dedicação.

Tudo é bom já do jeito que você faz.

Faça o seu melhor, só não espere nada  vindo de fora. E enfatizo isso só para deixar claro algo:  o perfeccionista faz o melhor (o que é ótimo), o problema é que ele faz isso pensando na aprovação externa. Isso dai que é um grande problema.

Enfim, Eu tenho muito a aprender com minha letra.

Ela é um lembrete diário para mim de que nada é perfeito.

Ela é um lembrete diário de todas as minhas imperfeições.

E é chegada a hora de jogar fora meus cadernos de caligrafia.

Meu lema oficial para o ano de 2018 é:

Reconhecer e viver minha vulnerabilidade.

Adeus perfeccionismo.

Vem comigo?

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Gratidão!

QUERO IR ALÉM NA ENGENHARIA!

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Ana Luisa Almeida
Aprendiz da vida e da engenharia. Idealizadora do Projeto "O que aprendi na Engenharia". Jovem Ponte, Engenheira Química formada pela UFBA, atuando como Engenheira Trainee na Kordsa Brasil. Nascida para espalhar sorrisos e gratidão ao redor do mundo, com o Coração sempre no ritmo #GoGoGo.

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