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"Lembra quando você não sabia de nada, mas achava que podia fazer tudo? Pois é, você tinha razão."

Recentemente, eu tentei convencer uma pessoa a aceitar uma proposta de promoção no seu trabalho.

Enquanto dava os argumentos para a pessoa refletir, ela me disse o seguinte:

"Ana, eu acho que não posso aceitar esta promoção, porque eu não sou capaz. Eu não sou bom o bastante para atuar neste novo cargo".

Quando eu ouvi estas palavras, eu me recordei de algo que eu sabia quando era criança e desaprendi na engenharia (não foram só aprendizados, eu esqueci algumas convicções que tinha - principalmente aquelas voltadas ao meu potencial)...

Quando crianças, nós não hesitamos em tentar dar o primeiro passo.

Passamos muito tempo engatinhando, mas, quando a gente começa a tentar aprender a andar, a gente não pensa se vai cair ou não (eu não pensei nisso, você pensou? Rs).

Quando crianças, a gente se joga nos desafios, a gente topa tudo que faz sentido pra gente.

E se a criança não quer também, ela fala (nós, adultos, a repreendemos e é assim que começamos a achar que temos que atender as expectativas dos outros).

Quando somos crianças, nós não duvidamos do potencial que a gente tem.

Eu me lembro que quando estava aprendendo a andar de bicicleta, eu cai muito, eu me ralei, até hoje tenho marcas no corpo dessa época. A única coisa que não lembro é de que eu pensei em desistir. Eu não cogitei isso, mesmo diante dos desafios. Eu acreditava que eu ia conseguir.

Na universidade, cursando engenharia, eu cai muito, até hoje tenho marcas e eu pensei em desistir. Eu deixei minha criança de lado por um tempo, fui ouvindo o que os "adultos" diziam que era certo para mim, comecei a duvidar do meu potencial.

Ter me graduado em engenharia química, mesmo diante de tudo o que passei, foi a prova de que minha criança interior estava e ainda está aqui em mim.

A criança que a gente foi precisa estar viva dentro de nós. Elas são a real essência do que somos, sem nenhum tipo de interferência externa. Elas acreditam na gente da forma que a gente precisa acreditar.

Os nossos sonhos mais genuínos já começam na infância.

Um dos maiores sonhos que eu tinha na minha vida, desde criança, era o de escrever um livro. E é por isso que eu sinto que a escrita é algo que me faz tão bem, porque me reconecta ainda mais com a criança que eu fui.

Qual é o sonho que você tem desde criança?

Reconecte-se com ele.

O nosso mundo vive em meio a muito racismo e preconceitos. Se nossas crianças interiores estivessem vivas, nós não enfrentaríamos isso. A gente amaria a todos, independentemente das escolhas de cada um.

A gente está vendo uma geração adoecendo por não se encontrar profissionalmente, vivendo profissões sem nenhum significado. Se nossas crianças interiores estivessem vivas, nós não enfrentaríamos isso. A gente teria a força e a vontade para fazer o que a gente realmente quer.

O ensino brasileiro (não apenas o superior) foi concebido de forma a calar as crianças que nós fomos.

Quando criança, não podíamos arriscar pintar o sol usando a cor rosa. Seríamos logo repreendidos pela professora: "está errado. o sol é amarelo".

E a gente cresce acreditando que a vida é assim, só tem uma solução para tudo.

Foi pelas crenças que começaram a incutir em mim desde criança que, quando cheguei na universidade e tive que projetar colunas de destilação em papel milimetrado, eu fui péssima na prova e me senti um ser humano terrível. Quando crianças, nos fizeram acreditar que tudo só pode ser de um jeito, que o que o professor dita é o que é certo. Então, o método de avaliação que eu vivi na universidade, em muitas coisas não condiziam com a minha personalidade, mas eu sempre me achei o problema, pelas crenças que me fizeram acreditar.

Quando criança eu sabia muita coisa.

Eu sabia muita coisa que não está no Google ou nos livros do McCabe, Diva Flemming ou Peter Atkins.

Eu sabia o essencial: o que realmente faz sentido para quem eu sou...

E eu desaprendi isso na engenharia (e até mesmo antes).

Mas que bom que minha criança interior não morreu, ela está sempre aqui, cochichando no ouvido do meu coração, o que realmente vale a pena ser e viver.

Abrace a sua criança interior. Não a deixe morrer.

Feliz dia das crianças!

Gratidão!


QUERO IR ALÉM NA ENGENHARIA!

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Ana Luisa Almeida
Aprendiz da vida e da engenharia. Idealizadora do Projeto "O que aprendi na Engenharia". Jovem Ponte, Engenheira Química formada pela UFBA, atuando como Engenheira Trainee na Kordsa Brasil. Nascida para espalhar sorrisos e gratidão ao redor do mundo, com o Coração sempre no ritmo #GoGoGo.

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