Reading Time: 4 minutes

 

A você, menina, moça, mulher, que deseja fazer Engenharia, Vá! Vá com fé, vontade, Amor. Gênero não nos limita em nada.

Quando eu passei pela minha entrevista de estágio em uma indústria - ainda que na área de processos - me questionaram se seria traquilo para mim trabalhar em um ambiente com predominância de homens.

E tem diferença? Pensei comigo mesma.

Na hora da entrevista, não compreendi o sentido da pergunta. Na prática, entendi o questionamento.

Estar em um meio industrial, principalmente atuando em uma área produtiva, me fez perceber que ainda somos poucas. Mas, já dá para ver avanços.

Onde eu trabalho, as portas para igualdade já estão abertas. Sou Engenheira de Produção e lido com muitos homens, mas também já interajo com Técnicas na áreas de manutenção.

Em um site, onde a área produtiva só tem banheiros masculinos, entendo a fundo a bandeira que levanto. Que bom que estamos mudando esse cenário.

Certa vez, após ministrar uma palestra em uma universidade daqui de Salvador, um rapaz me fez um convite para um evento e começou assim: "Ana, como você é feminista, queria te convidar para o evento X".

Parei na palavra Feminista.

"Oxente. Como assim sou feminista?!"

Eu não sabia o significado desta palavra e acho que até tinha preconceito.
Com essa abordagem, fui pesquisar. E entendi que ser rotulada de feminista é o mesmo de dizer que você defende a igualdade de gêneros.

Assim sendo, aceitei o rótulo (apesar de não ser fã deles).

Se já me taxavam feminista, hoje faço questão de viver isso na prática, principalmente na realidade que vivo (meio industrial), onde, muitas vezes, as mulheres foram ditas frágeis.

No Instagram do @oqueaprendinaengenharia me pediram para falar um pouco sobre essa experiência de ser engenheira na área de produção e lidar com muitos homens.

E estou há muitos dias pensando sobre isso. Porque confesso que, para mim, este processo tem sido até natural. Trato os operadores com muito respeito e vejo que tenho muita reciprocidade em relação a isso. Mas percebi também que, apesar da naturalidade, ainda tenho alguns medos.

Não gosto de usar batom ou maquiagem na área. Tenho certeza da integridade moral de cada um que lido na produção, mas sempre bate a dúvida: Será que vir com um batom não vai instigá-los a ações inadequadas?

A dúvida bate por conta do que nós, mulheres, vivemos na sociedade. Muitas vezes, ser mulher requer muita paciência para lidar com a falta de respeito que acontece nas ruas, nos ônibus e por ai vai.

Sei que, me restringir de ir para a área do jeito que desejo, não é algo que se conecta com a igualdade de gêneros que defendo, mas ainda não me sinto confortável ao ponto de arriscar. Como essa vivência é nova para mim, ainda estou aprendendo e ficaria feliz de saber/ler algum depoimento de alguém que já tem mais tempo na área e que possa trazer maiores esclarecimentos para mim e demais leitoras do blog. Se você tiver algo a acrescentar sobre este ponto, fica à vontade.

Mas, nesse pouco tempo, já teve algo que aprendi.

Com alguns meses alocada na minha atual área, meu gestor me conectou com uma reflexão que ainda não tinha feito.
Ele me fez notar que, onde trabalho, temos muitas engenheiras, mas, na área produtiva, atualmente, estou sendo a única.

Ele me confessou que no momento da escolha, ele não hesitou em escolher homem ou mulher para trabalhar na produção. Afinal de contas, na prática, isso pouco importa. O que vale mesmo é a Garra. E isso, gênero não define. Foi assim que ele me escolheu. Compreendi aí uma lição importante: apesar de toda os desafios, se você é EngenheirO ou EngenheirA de Produção, na verdade, isso pouco importa.

O que vale mesmo (que é a vontade de fazer), gênero, escolha sexual e raça não interferem.

Nunca me esqueço que, lá em 2010, quando estava na decisão do vestibular, uma amiga cogitou fazer o curso de Engenharia Civil e, conversando com uma Engenheira, a mesma a aconselhou a ter cuidado porque o meio era muito masculino, que poderia ser difícil a inclusão.

Na época, o comentário me chocou e, hoje, vivendo o que vivo, fico ainda mais chocada e quero seguir o caminho inverso do que aquela engenheira fez na época.

A você, menina, moça, mulher, que deseja fazer Engenharia, vá. Vá com fé, vontade, Amor. Gênero não nos limita em nada.

Hoje, os feedbacks que recebo são voltados a como o toque feminino na produção tem sido algo positivo no cuidar do outro e até em nossas atividades. Há um complemento.

E você também fica muito feliz ao perceber que sua presença traz a consciência nas brincadeiras. Algumas risadas tratadas como "brincadeirinhas" deixam de ser praticadas, porque eles mesmos percebem que aquilo pode me machucar. Então, eles repensam a atitude e refletem o real valor da mulher.

Sem contar que é divertido quando eles começam a aprender com a dinâmica dos hormônios e itens femininos em um meio tão masculino e não muito habituado a isso. Rs.

Apesar dos desafios, sinto-me muito feliz por escrever esse texto. É  representatividade e certeza de que uma revolução está a caminho (ou simplesmente já chegou). Eu acredito.

Sou mulher e Engenheira de Produção.

Se eu posso, você também pode. Nunca duvide disso.

Com muito carinho e gratidão,
Ana Luisa Almeida, Negra, Heterossexual, Engenheira atuante na área de Produção de uma indústria.
Porque, Raça, Opção sexual e Gênero não nos limitam (nem definem) em nada.

The following two tabs change content below.
Ana Luisa Almeida
Aprendiz da vida e da engenharia. Idealizadora do Projeto "O que aprendi na Engenharia". Jovem Ponte, Engenheira Química formada pela UFBA, atuando como Engenheira Trainee na Kordsa Brasil. Nascida para espalhar sorrisos e gratidão ao redor do mundo, com o Coração sempre no ritmo #GoGoGo.

Comments

comments

Gostou desse texto?

Se você quiser receber mais textos como esse, cadastre seu email abaixo! 

Nosso conteúdo é gratuito e feito com muito amor!

Pronto! A partir de agora você estará sempre conectado(a) com nosso conteúdo! Gratidão!