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quero te contar uma grande lição de negócios que aprendi com minha vó... Ela me ensinou sobre flexibilidade, inovação e satisfação do cliente.

Uma iguaria que temos aqui na Bahia é o famoso vatapá. Não sei dizer muito sobre os ingredientes, apenas sei que é uma comida deliciosa. Quando você coloca no prato: arroz, vatapá, um frango cozido (ou bacalhau), pronto, você já está no paraíso (é assim minha sensação toda vez que como vatapá - principalmente o da minha vó).

Vatapá é uma das minhas comidas prediletas e, se tratando do vatapá que minha vó faz, é melhor ainda!

Ela realmente coloca amor em cada colher que ela usa na preparação do vatapá dela. O sabor é único.

Em dezembro de 2010, eu desenvolvi alergia a mariscos. E admito que, desde então, minha vida mudou um pouco...

Ser baiana e ter alergia a mariscos é um pouco complicado. Nossas comidas têm uma excelente combinação com camarão. Na maioria dos restaurantes soteropolitanos, dia de sexta feira é dia de comida baiana (moqueca, vatapá, caruru e por ai vai... Todas elas com presença de camarão).

Então, imagine ai: eu sou apaixonada por vatapá e desenvolvi alergia a mariscos.

Quando tive este diagnóstico, fiquei triste só de imaginar que nunca mais comeria vatapá - principalmente o da minha vó.

Mas foi ai, que ela - minha vó - me deu uma excelente lição de negócios.

Eu desenvolvi alergia a mariscos, não poderia mais ingerir comidas que têm camarão, então, minha vó diversificou sua linha de produção: além do vatapá com camarão, ela também faz uma porção de vatapá sem camarão, para suprir uma demanda que eu tenho.

No mundo dos negócios, "minha vó" seria "a empresa" e "eu" seria o "cliente". Ela me mostrou como um consumidor deve ser tratado, a partir de três lições básicas de relacionamento com o cliente:

Inovação. Vatapá é feito com camarão. O camarão dá um sabor a mais a essa prato. Devido à minha nova demanda, minha vó inovou na receita dela: Retirou o camarão e ainda garantiu o excelente sabor de sempre. Sei muito pouco sobre como ela cozinha o vatapá, mas, pelo o que ela compartilhou comigo, ela coloca mais caldo de bacalhau/frango no meu vatapá, então, eu não percebo muito a ausência do camarão, porque estes caldos dão um sabor a mais. Diante da nova demanda que o cliente dela tinha, minha vó pensou em alternativas, usando material do próprio processo para inovar e garantir fidelização do cliente dela. Para muita gente, vatapá sem camarão nem poderia existir. Minha vó pensou fora da caixa e desenvolveu algo que desafia o paladar de muitas pessoas.

Flexibilidade. Minha vó faz vatapá há anos e sempre com camarão. Diante da minha nova demanda, ela teve a flexibilidade de inovar. Apesar do tanto de tempo que ela prepara vatapá com camarão, ela não foi inflexível. Ela poderia ter resistência a fazer vatapá sem camarão. Além de ser uma receita nova, dá mais trabalho, porque ela teve que transformar um processo em dois. Mas, para garantir o melhor para o seu cliente, ela flexibilizou (sua mente e o processo). A lição que fica disso tudo é que, inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, clientes vão fazer solicitações novas, é escolha nossa -ao menos- tentar flexibilizar e mostrar ao cliente que tentou mantê-lo. Minha vó poderia não conseguir fazer um vatapá sem camarão, mas ela não resistiu de início. Flexibilizou e tentou. Dai, sim, ela teve noção do que era capaz de fazer.

Satisfação do cliente. Logo quando minha vó começou a desenvolver esse novo produto, ela sempre me perguntava o que eu estava achando. Ela foi coletando meus feedbacks, com isso ela mesmo foi notando o que devia permanecer e o que ela precisava mudar em sua nova receita. Durante o desenvolvimento desse novo produto, ela não negligenciou o que eu estava sentindo. A opinião do cliente dela foi o GPS para que ela continuasse no caminho da melhoria contínua e, consequentemente, garantisse a satisfação do cliente.

Minha vó sempre tenta garantir que a gente tenha a melhor experiência gastronômica na casa dela. Isso é tão verdade que ela alterou sua receita de vatapá, desenvolveu um novo produto, só para me ver feliz. E isso não demandou muitos esforços, nem altos investimentos financeiros, bastou o olhar atencioso e o "fazer com amor". Adicionando isso a sua receita, o seu vatapá continuou maravilhoso e encantando a todos os gostos (sem ou com restrição).

Minha vó tem formação até o 6˚ ano do Ensino Fundamental. O que nos ensina também que negócios e cuidar do outro não demandam muitos títulos ou rótulos...

Gratidão!

*Esse texto foi feito pós almoço na casa de minha vó. A minha satisfação - como cliente - foi tão alta, que deu até insight para este texto, rs.


QUERO IR ALÉM NA ENGENHARIA!

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Ana Luisa Almeida
Aprendiz da vida e da engenharia. Idealizadora do Projeto "O que aprendi na Engenharia". Jovem Ponte, Engenheira Química formada pela UFBA, atuando como Engenheira Trainee na Kordsa Brasil. Nascida para espalhar sorrisos e gratidão ao redor do mundo, com o Coração sempre no ritmo #GoGoGo.

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