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Essa é a história de como a vida me fez negligenciar uma das maiores paixões que eu tinha...

Eu adorava desenhar.

Eu fui uma criança que vivia desenhando pokémons, os personagens de Dragon Ball Z e tudo que desse vontade.

Assim como minha mãe, nunca fiz curso, mas a gente nasceu com algo (talento? não sei bem o que é...), e, basta um olhar, que a gente já rabisca o desenho que está vendo.

Eu lembro que, quando criança, temia bastante a tão famosa pergunta:

"o que você vai ser quando crescer?"

E o medo vinha porque não me faltavam respostas. Pelo contrário, eu sempre tive diversas.

Pelo gosto em desenhar, lembro de dizer que seria estilista e, quando estava no 9˚ ano do Ensino Fundamental, eu decidi por me tornar arquiteta. Fizemos até uma atividade em grupo, onde cada um deveria entrevistar um profissional da área que queria seguir. Gostei da área. Eu ia exercer uma profissão fazendo o que amava: desenhar...

Cheguei no Ensino Médio.

Amava desenhar, mas também amava física, química e matemática.

Na hora de finalmente decidir minha profissão, esqueci que amava desenhar. Só lembrei que amava física, química e matemática (como se isso bastasse para escolher o que você vai fazer pelo resto da vida...).

No 3˚ ano do Ensino Médio, o colégio forneceu a oportunidade de fazermos um teste vocacional com uma psicóloga.

O meu teste disse que eu tinha que fazer engenharia.

E acabou que a Engenharia Química foi a escolhida.

Até hoje eu me pergunto como um teste desse foi avaliado como bem sucedido.

Eu entrei na Universidade sem nem saber o que engenheiro químico fazia de verdade. Hoje, eu fico chocada sobre como minha escolha profissional foi feita de forma tão absurda, mas tratada de forma tão natural.

meu teste vocacional falhou.

Entrei na Engenharia.

E minha paixão por desenhar?

Esqueci que sabia fazer isso...

Primeiro: Se eu estava me preparando para ser engenheira, que sentido faria eu ficar dedicando meu tempo aos desenhos?

Fiquei alienada a esse ponto...

Segundo: Que tempo eu tinha para conciliar o tanto de aula, listas e ainda desenho?

Eu aceitei viver dominada pela carga horária absurda que as universidades impõem.

Eu esqueci que amava desenhar.

Meus cadernos e agendas da universidade são todos rabiscados com rostos aleatórios, de pessoas que nunca vi na vida.

Hoje vejo que essa foi a tentativa que  inconscientemente eu criei para não permitir que essa paixão morresse de vez em mim...

Mas, a verdade é que morreu.

Durante o intercâmbio, eu vivi uma realidade diferente. Aulas com carga horária menores, mais tempo livre. Ressuscitei um pouco a minha paixão pelos desenhos (os desenhos da capa desse texto fiz durante o tempo que morei em Swansea).

Voltei para o Brasil e esqueci tudo de novo.

Hoje, eu já não desenho mais.

Ensaio alguns rabiscos, mas preciso ainda voltar a desenhar mais da vida.

Eu me motivei a escrever este texto, depois que meu amigo compartilhou comigo o TEDx abaixo:

Por que alguns não têm uma vocação específica?

Ao ouvir o que a Emilie Wapnick compartilha, eu percebi como meu teste vocacional falhou.

Eu adorava desenhar. Amo escrever. Adoro estudar sobre comportamento humano. Curto descobrir coisas novas.

Nada disso foi ponderado no momento que fiz meu teste vocacional.

Foi esquecido o essencial...

E o mais grave é que, quando eu cheguei na Universidade, a crença imposta foi de que se sou de "exatas", não fazia sentido eu fazer coisas de "humanas". Como se isso existisse...

Em muitos eventos fui tida como estranha, porque ninguém da engenharia frequentava...

Graças a Deus que algumas coisas não morreram dentro de mim. A escrita foi uma delas. Graças!

Eu me permiti viver experiências que o senso comum condenava, mas que foram cruciais ao meu desenvolvimento: Mesmo na graduação em Engenharia, eu me tornei blogger em uma startup.

Como já falei por aqui, a inovação (tão requerida no ato de engenhar) nasce a partir do cruzamento de campos distintos.

Queria te convidar a fazer uma lista de tudo aquilo que você gosta e a Universidade te fez esquecer.

Faz sentido, sim. Se permita vivê-las.

As nossas universidade não estimulam a inovação, mas você pode fazer isso por você.
Pelo mundo.

Ao entrar na Universidade, eu esqueci da minha paixão por desenhar.

Uma prova de que meu teste vocacional falhou...

E, muito provavelmente, o seu também.

A falha maior não foi a direção da profissão (em alguns casos, fez sentido. No meu caso, por exemplo, as razões foram as erradas, mas a profissão faz sentido, sim).

A falha maior do nosso teste vocacional foi a falsa impressão dada de que só temos uma vocação e só um campo de atuação, como se nada mais que a gente ame, fizesse sentido.

Engenharia, desenhar, escrever, entender pessoas. Isso sou eu e um tanto mais. Um rótulo de Engenheira Química não me limita apenas ao meio industrial e um bocado de contas.

Você é o que faz sentido para você.

Eu estou sempre priorizando esse papo aqui com você. Porque, de verdade, eu esqueci dos meus maiores hobbies quando eu estava na universidade, acreditando que uma coisa anulava a outra.

Se você gosta de escrever, crie um blog (pode me mandar mensagem, eu serei feliz em te ajudar).

Se você gosta de filmes e séries, cria um instagram, faz resenhas sobre.

Se você ama desenhar, desenhe.

Se você gosta de fazer coleções, colecione.

E mais, permita unir tudo isso. Coloque sua escolha profissional, seus hobbies e muito mais no mesmo caldeirão. Misture e beba essa porção da felicidade.

Muito provavelmente seu teste vocacional falhou...

O meu também (ainda mais quando você faz um teste desse aos 16,17, 18, 19, 20 anos de vida, onde nem sabemos direito o que gostamos).

Mas nunca é tarde para entendermos que o que somos é o que faz sentido para nós.
Não o que um algoritmo determina.

Gratidão!


QUERO IR ALÉM NA ENGENHARIA!

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Ana Luisa Almeida
Aprendiz da vida e da engenharia. Idealizadora do Projeto "O que aprendi na Engenharia". Jovem Ponte, Engenheira Química formada pela UFBA, atuando como Engenheira Trainee na Kordsa Brasil. Nascida para espalhar sorrisos e gratidão ao redor do mundo, com o Coração sempre no ritmo #GoGoGo.

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