o que aprendi na engenharia

sua dose de cuidado humano na engenharia.

Os “13 porquês” que tive na Universidade…

Reading Time: 6 minutes

 

De dez pessoas que eu conheço, oito já assistiram o mais novo seriado da Netflix: "Os 13 Porquês". Baseado no livro homônimo, o seriado conta a história de uma adolescente que se suicida e deixa 13 fitas gravadas para as 13 pessoas que foram "os principais porquês" dessa decisão.

Não é um seriado fácil de assistir, mas é extremamente importante conversarmos sobre os temas que ele trata.

Na minha visão de mundo, "Os 13 porquês" conta sobre o ato de desistir. Conta sobre emoções. Diz sobre pessoas. E fala principalmente sobre como a vida é uma questão de você olhar com gentileza para você mesmo e também para o outro.

Nada vai ser fácil (nada, absolutamente nada). Sucumbir a essas circunstâncias difíceis e  externas é apenas uma escolha nossa.

Claro que não é fácil não sucumbir, às vezes, não encontramos forças em nós mesmos. E, nessas horas, por mais difícil que seja, diga. Expresse-se.

(Na escrita, eu encontrei a minha forma de me expressar. Qual é a sua?)

Invadida pelas reflexões desse seriado, eu comecei a pensar sobre quando eu pensei em desistir.

Por diferentes razões, eu cogitei desistir do grande sonho que eu tinha de me tornar uma Engenheira Química.

E, nesse texto, eu queria te contar sobre "os 13 porquês" que tive na Universidade, quando estudei Engenharia.

Abaixo, segue a lista das principais razões ("os 13 porquês" ) pelas quais eu pensei em desistir:

(OBS.: Talvez, este não será um texto fácil de ser lido -não foi fácil escreve-lo, mas é necessário.)

1˚ Porquê: O Sistema Educacional Brasileiro

Eu pensei em desistir da Engenharia por conta do Sistema Educacional Brasileiro. Para mim, tem muita coisa errada. É muita aula inútil, um sistema engessado que rotula e categoriza pessoas, que te limita mais do que estimula. Não somos educados a pensar, apenas a reproduzir.

2˚ Porquê: O excesso de carga horária

Eu ficava doente quando olhava minha agenda enquanto eu estava na Universidade. Eu ficava muito triste, de verdade. Parecia que eu tinha nascido para viver uma vida em que eu não podia fazer nada que eu queria. Eu não sai com amigos, eu tinha pouco lazer, eu abandonei meus hobbies. E não foram decisões espontâneas, muitas delas vieram pela necessidade de conciliar uma carga horária que desrespeitava meu corpo e até mesmo meus limites.  Eu confesso, sucumbi a toda ansiedade/medo/desespero que essa carga horária me trazia.

3˚ Porquê: O Sistema de avaliações

As avaliações as quais fui submetida me fizeram perceber a fragilidade do nosso sistema de ensino. Eu não exercitava o aprendizado, era tudo muito no automático. Para passar em uma avaliação não adiantava você acreditar que sabia o assunto, você precisava refazer provas e mais provas dos semestres anteriores, porque o que era exigido não era o seu conhecimento, mas sua habilidade de "vomitar" qualquer coisa na prova, do jeito que o professor queria. Sem contar a desconexão entre a realidade que temos hoje e as avaliações do século passado.

4˚ Porquê: As aulas

Eu odiava minhas aulas. Acordar 7 horas da manhã para ir para a UFBA foi um dos maiores sacrifícios que eu já tive que fazer na vida. Doia muito. A dor vinha só de imaginar sentar em uma sala e ouvir por 2 horas seguidas um professor (que não estava fazendo o que queria), lendo (sem pausas) um conjunto de slides. Era literalmente um momento de tortura.

5˚ Porquê: Os professores

Eu tive professores empáticos, mas também tive muitos que nunca se colocaram no lugar dos alunos. Eu tive professor ditador, que não ouvia, que ofendia, que desrespeitava. Alguns, a partir da minha permissão, influenciaram bastante em minha auto confiança e auto estima. Até hoje, esse é um fantasma que me assusta um pouco.

6˚ Porquê: A falta de empatia

Se colocar no lugar do outro, para mim, é empatia. E eu senti muita falta disso na Universidade. Foram poucos os professores empáticos, os colegas também. Enquanto eu não me senti bem lá dentro, pouca gente se interessou em saber o que estava acontecendo comigo. Sempre foi muito mais fácil apontar o dedo e me rotular como irresponsável, alguém que não estava nem aí.

7˚ Porquê: A falta de cuidado humano

Comecei a frequentar a Politécnica quando tinha 17 anos de vida. Descobriria no futuro que estava ali totalmente perdida. Procurei alguém para me ajudar. Não encontrei. Não tinha ninguém (ou eu não via) disposto a me instruir, dar dicas de carreira e planejamento profissional, não tinha um acompanhamento psicológico ou de coaching. Eu sentia falta de cuidado humano. Na Poli, eu não me sentia como ser humano. Para mim, eu era apenas mais um número ali.

8˚ Porquê: O medo de decepcionar

Internamente, eu tinha um fantasma: o medo de decepcionar minha família. Educação é um valor forte para nós. Tinha medo de chegar em casa e contar que iria desistir da Universidade. Esse fantasma me atormentou bastante, mas com o tempo eu consegui perceber que era apenas imaginação. E demorei para contar em casa a forma como eu me sentia e admito que foi um dos maiores erros que já cometi na vida.

9˚ Porquê: A perda de auto estima

Estar na Universidade acabou sendo também, infelizmente, um processo de perda da minha auto estima. Em alguns momentos, eu não acreditei mesmo em meu potencial. Às vezes, eu sabia tudo para uma prova, mas minha mente duvidava. E como a sua crença interfere muito nos seus resultados, não preciso te dizer que essa auto estima baixa me levou a resultados muito aquém do que de fato eu poderia ter. Lidar com tudo isso foi (e ainda é) um dos meus grandes desafios.

10˚ Porquê: Doenças físicas

No final da graduação, eu vivia bebendo energéticos, numa tentativa de dar conta de tudo. Passei a dormir extremamente mal e comecei a ter vários problemas no olho direito. A situação se agravou, tive até que passar por um pequeno procedimento cirúrgico. Eu me afundei na minha rotina e passei a negligenciar meu corpo. Comecei a ter esse tipo de problemas e isso me deixava triste, com menos vontade ainda de me envolver com a minha graduação (às vezes, parecia que estar na Universidade era só para adoecer).

11˚ Porquê: A depressão

Eu tive depressão dentro da Universidade. Graças a Deus, tive apoio familiar, psicológico e não cheguei a um nível profundo. Esse por quê foi forte para que eu desistisse. É difícil demais lidar com isso sozinha.  Se você tem se sentido muito triste, desanimado, sem vontade de fazer as coisas, procure alguém que você confia e compartilhe isso. Ela vai te ajudar. Não permita que esse por quê seja mais forte do que você é.

12˚ Porquê: A ansiedade

Eu tinha ansiedade pelo amanhã, pela nota da prova, pela falta de propósito que eu tinha. A ansiedade me conduzia a loops de medo e reflexões bem desanimadoras. Eu vivia em preocupação.

13˚ Porquê: Eu mesma

A principal razão de tudo isso ter me afetado foi eu mesma. Eu permiti que tudo isso interferisse na forma como eu via o mundo e como me sentia nele. Pode soar muito rude escrever isso, mas acredite que, o maior vilão que eu tive dentro da Universidade, foi eu mesma. Hoje olho para trás e percebo o quanto eu aprendi a importância de amar a nós mesmos e zelar por sermos gentis com o que somos. Assuma o protagonismo da sua vida. Jamais se esqueça de que tudo e todos que te irritam, na verdade, te dominam.


O mais intenso de escrever este texto é perceber que estas razões não são apenas minhas. Muito provavelmente, muitos estudantes de engenharia já pensaram em desistir por "por quês" similares. Isso me muito deixa incomodada e por isso também que comecei a ideia deste blog.

Eu tive esses "13 porquês" (e além) para desistir do meu sonho de ser Engenheira. Mas, hoje, eu tenho a felicidade em dizer que, apesar de todos eles, eu consegui me tornar uma Engenheira Química.

Eu mudei meu foco. Ao invés de enxergar esses "porquês" como razões para eu cruzar meus braços e sucumbir a eles, eu adotei outra postura. Eu encontrei neles uma forma de realizar meus sonhos e ainda deixar um legado no mundo.

Não foque apenas no "por quê isso é assim?". Dê uma oportunidade principal  à pergunta que muda vidas:

"O que posso fazer para mudar isso que me incomoda?"

Tenha certeza que as respostas dessa pergunta vão mudar sua vida.

Mudou a minha.

Termino dizendo que, hoje, o meu foco não são os "porquês" para desistir. Hoje, eu foco nos "porquês" que eu tenho a agradecer.

E saiba que você, que lê esse blog, que acompanha meus textos, é um dos principais "porquês" da minha gratidão pela vida. Sua presença aqui ratifica minha certeza diária que eu encontrei meu chamado aqui na Terra...

Agora, te desafio a fazer a lista dos "13 porquês" que você tem a agradecer dentro da Universidade (acho que acabo de pensar no tema de um próximo texto, rs). Você verá que são porquês mais fortes do que estes aqui. Se conecte com eles.

Gratidão por me ajudar a viver em plenitude.

Quero te ajudar a viver assim também. Se precisar desabafar, pode entrar em contato comigo através do meu facebook pessoal ou por aqui pelo blog mesmo...

Gratidão!

(Foi um desafio grande escrever este texto! Foi muito intenso reviver esses porquês, mas foi importante também para eu agradecer ainda mais pela vida e pelas conquistas! Reflita assim também!)

Você deseja superar os seus "13 por quês" de desistir da graduação?

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Ana Luisa Almeida
Aprendiz da vida e da engenharia. Idealizadora do Projeto "O que aprendi na Engenharia". Jovem Ponte, Engenheira Química formada pela UFBA, atuando como Engenheira Trainee na Kordsa Brasil. Nascida para espalhar sorrisos e gratidão ao redor do mundo, com o Coração sempre no ritmo #GoGoGo.

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