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Modéstia à parte, fui eu que ministrei. A incomodação me deu esse presente.

Eu odeio minhas aulas. Eu sou extremamente incomodada com a metodologia que meus professores usam para transmitir o conhecimento.

Eu sou bastante distraída na vida, isso eu não nego. Mas, poxa, é difícil demais prestar atenção nas aulas que tenho hoje. É muito blá, blá. Slides. Quadro. E só. Isso todos os dias.

Desde o Ensino Médio, eu tenho essa angústia em ir para as aulas. As aulas de exatas (química, física e matemática) eram a exceção. Mas, meu Deus, não me esqueço de como era difícil ir às segundas-feiras para o colégio. Às 7 horas da manhã, eu já tinha que assistir duas horas de aula de geografia. Blá, blá. Slides. Quadro. E só. Isso todos os dias.

Naquela época, eu achava que o problema estava em mim.

Mas depois que eu conheci mais desse sistema de ensino brasileiro, eu percebi que não.

Ano passado, quando fiz minha formação em Practitioner em PNL (a Programação Neurolinguística), eu descobri algo interessante.

Cada pessoa tem sua forma de enxergar o mundo. Desse modo, no geral, podemos classificar as pessoas em:

Visuais: “Essas pessoas têm um alto nível de energia, são inquietas e observadoras, captam os detalhes e muitos dos pequenos aspectos que, para outras pessoas, passam despercebidos. Costumam visualizar imagens na sua mente para poder se lembrar delas e é comum que para isso tenham que escrever pequenas anotações. Precisam de lugares tranquilos para se concentrar.”.

Eu sou uma pessoa visual. Então, por isso, eu odeio minhas aulas. Ficar só ouvindo uma pessoa falando e vendo slides cheios de textos é um pesadelo em minha cabeça. Causa confusão.

Auditivas: Você é daqueles que costumam expressar seus pensamentos em voz alta? Prefere sempre que as outras pessoas lhe expliquem as coisas a lê-las você mesmo? Você costuma seguir com facilidade as conversas das pessoas ainda que esteja olhando para outro lado? Se é assim, a sua modalidade de processar a informação é a auditiva.”

Cinestésicas: Quais são as suas paixões? Você gosta de cozinhar, gosta de esporte, trabalhar ao ar livre? Prefere experimentar as coisas antes de se informar sobre elas? A PNL diz que as pessoas cinestésicas, apesar de tranquilas, sentem um gosto especial pelas emoções e por tudo aquilo que tenha a ver com as coisas manuais, com experimentar o tato, o gosto e o olfato. São muito expressivas socialmente, daquelas que procuram o contato pessoal, os abraços… o contato físico.

(Transcrevi essas definições do site “A mente é maravilhosa.”. Se tiver mais curiosidade sobre o tema, recomendo que busque mais textos no Google. Quando você descobre a forma como você enxerga o mundo, você lida melhor com ele e otimiza a forma como você recebe e transmite informações!)

Então, se você vai transmitir um conhecimento para uma plateia, você precisa ter certeza que todos entenderão. Ou seja, você precisa garantir que os visuais, auditivos e cinestésicos conseguirão captar a sua mensagem. Em outras palavras: durante sua palestra, você precisa diversificar a forma como você vai transmitindo o conteúdo para que todos compreendam. E ai que está o problema do nosso ensino. Nossos professores esquecem (ou não sabem disso). Em geral, apenas um desse tipo de pessoa sai da aula entendendo o assunto. Afinal, durante a aula toda, a mensagem é transmitida de uma forma só, sem estimular outras partes do cérebro.

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Nessa inconformidade toda que eu vivo, eis que me surgiu uma oportunidade de dar aula como parte da avaliação de uma matéria desse semestre.

Em conjunto comigo, esteve outra inconformada. E ai, quando a gente sentou para planejar nossa aula, nem cogitamos o tradicional. Tinha que ser diferente.

Eu tenho muita incomodação com o Ensino que estamos submetidos, mas, dentro dessa inconformidade, eu busco a ação. Então, se eu tive a oportunidade de dar aula, pode ter certeza que eu não me prestei ao papel de fazer igual ao que o meu professor faz, afinal, o que ele faz é o que eu super critico e acho chato.

O dia da aula chegou. Ao mesmo tempo que eu estava muito feliz pela oportunidade, eu “pisava em ovos”. Estar numa Universidade tradicionalista, que super valoriza o antiquado, acaba sendo perigoso inovar.

“E se o professor não gostar?”

“Vamos levar um zero” — eu pensava.

Mas passei a observar minha mente e não permiti que ela me dominasse.

A aula teve slide. Teve blá, blá. Teve quadro.

Mas também tiveram muitos momentos lúdicos, de interação com a galera. Colocamos a mão na massa, demos brindes e tudo mais.

Conseguimos interagir tantos com os visuais quanto com os auditivos e cinestésicos.

Não foi um monólogo, onde só quem estava lá na frente falava. Houve interação.

Isso aconteceu na Escola Politécnica da UFBA. Numa aula de Engenharia Química.

Quando eu e Andressa terminamos aquele momento, eu não cabia em mim.

Os olhos dos meus colegas me comunicavam uma gratidão.

Meu professor sorriu. Eu coloquei essa sentença em negrito porque ele não é uma pessoa de sorrir, pelo contrário. Mas, nessa aula, até ele sorriu.

Fui para a minha cadeira certa de que poderia tirar zero, já não me importava mais. Aquele momento em si já tinha me dado a sensação de ter tirado 10.

Após a apresentação, ouvir os feedbacks dos meus colegas me trouxe um mix de gratidão e esperança.

Gratidão por ter tido essa oportunidade.

E Esperança de que, sim, a Engenharia pode ser divertida e humanizada. Existe uma maneira dela respeitar os diversos tipos de personalidades que cada aluno carrega.

Sem dúvidas, Essa foi a melhor aula da minha vida.

Eu nunca vou esquecer o dia que eu tive a aula dos meus sonhos.

Que esse tipo de vivência não seja apenas uma exceção. Que vire rotina. Esse é meu querer. Essa é uma das minhas missões.

Estamos juntos nessa!

Gratidão!

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Ana Luisa Almeida
Aprendiz da vida e da engenharia. Idealizadora do Projeto "O que aprendi na Engenharia". Jovem Ponte, Engenheira Química formada pela UFBA, atuando como Engenheira Trainee na Kordsa Brasil. Nascida para espalhar sorrisos e gratidão ao redor do mundo, com o Coração sempre no ritmo #GoGoGo.

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