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Era algum dia do final do ano de 2010. Infelizmente, não lembro a data correta. Se soubesse o quanto esse dia ecoaria no meu presente, o teria registrado com o máximo de detalhes.

Era um dia muito especial, único e decisivo.

Aquele era o dia da segunda fase do vestibular que eu sempre quis estudar. O momento era incerto, o meu maior sonho estava em jogo: Estudar Engenharia Química na Universidade que sempre quis estudar.

Naquele dia, uma das minhas missões seria redigir uma redação.

Quando abri minha prova, vários textos me levaram ao seguinte tema:

A partir da leitura dos textos apresentados, das ideias neles contidas e da sua forma de enxergar o mundo, produza um texto dissertativo/argumentativo sobre o tema: A importância dos sonhos na vida do ser humano.

Eu vibrei muito ao ler esse tema! Sério, foi um presente.

Eu estava ali prestes a realizar um sonho, inspiração maior não havia. E não era qualquer sonho.

Das poucas convicções que eu tinha naquela época, uma das mais certeiras era que eu queria estudar Engenharia Química e só podia ser naquela universidade. Não dava para ser em nenhum outro lugar.

E eu passei. Graças a Deus, fui aprovada a cursar Engenharia Química no primeiro semestre de 2011.

Com 16 anos, fiz esta prova. Com 17, já estava na Universidade.

A minha redação teve como título: “Não deixe de sonhar”, em referência a uma música que muito me inspirou enquanto eu estudava para os vestibulares.

E, hoje, olhando para trás, toda essa redação, acho que veio como um lembrete para mim no futuro.

Lá em 2010, eu fiz um texto estimulando os sonhos. Não deixe de sonhar.

Em 2013, estudando engenharia química, na Universidade que eu sempre quis, realizando o que supostamente era o meu maior sonho, eu deixei de sonhar.

Ao estudar engenharia, eu deixei de sonhar.

Hoje, eu brinco de que eu criei tantas expectativas com a Universidade que não tinha como não me decepcionar.

Expectativas demais, decepções na mesma proporção.

Estudar engenharia química, vivendo o sistema de ensino superior brasileiro, me decepcionou pela estrutura que encontrei, pela desorganização e burocracia, pelo sistema que determina que se eu faço engenharia, não existem razões para eu gostar de design, marketing, escrita ou liderança.

Me decepcionei com o excesso de teoria, com a escassez de práticas e com a Educação sem propósito que é majoritária na maioria das universidades brasileiras.

Mas, de todas as decepções, a maior foi perceber que eu deixei que tudo isso fosse mais forte do que meus sonhos.

Eu deixei que tudo isso me fizesse adotar o papel de vítima, anulando meu papel de ser líder da minha própria vida.

Enquanto eu deixei de sonhar, o sistema superior de ensino continuava o mesmo. Quiçá, até anulando mais sonhos de outros jovens.

Enquanto eu fui vítima, a minha Universidade continuou a mesma, porque, óbvio, se eu quero mudança, eu preciso sê-la.

Eu não tenho o poder de mudar a grade do meu curso, exterminar a burocracia, fornecer uma melhor estrutura, infelizmente, não dá.

Mas eu posso promover uma mudança mais profunda e duradoura: a forma como encaro tudo isso.

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Se, hoje, nós sentarmos para conversar, eu consigo lhe apontar várias falhas dentro da Universidade e da graduação que estudo.

Mas, atrelado a todos esses problemas, eu sempre vou me perguntar: como posso fazer pra mudar isso?

Assumi a liderança, ressignifiquei aquele ambiente.

Se a Educação é sem propósito, vamos ajudar os alunos a terem isso. Nesse aspecto, estar atuando na Alavanca Universitária entra em concordância com esse meu objetivo.

Amo design, marketing digital e escrever.

Ótimo, estudo engenharia química, mas também sou Blogger, faço peças gráficas para fanpages, gerencio redes sociais.

Diferentemente do que eu acreditei no passado, um não anula o outro. Pelo contrário, se complementa, conforme você pode ver até pela materialização deste texto.

Em fevereiro deste ano, eu tinha escrito que meu propósito de vida era “ajudar pessoas a realizarem sonhos, espalhando sorrisos e gratidão”.

Com os meses que se passaram, entendendo as atividades que venho desenvolvendo aqui na Terra, acabei sendo mais específica. Minha missão pessoal é “ajudar estudantes de engenharia a realizarem sonhos, espalhando sorrisos, gratidão e beleza na engenharia”.

A Universidade que estudo vai continuar sendo a mesma. Eu vou tirar nota ruim, boa, mediana. Eu vou ter desafios. Alguns bem difíceis, outros mais fáceis. Mas eu não vou deixar de sonhar.

Eu não vou deixar de sonhar por uma engenharia que respeita e cuida. Uma engenharia criativa e humanizada.

Ao estudar engenharia, eu deixei de sonhar.

Mas, foi lá dentro também, que eu reavivei e conquistei os maiores e melhores sonhos.

E, por tudo isso, sou grata.

“Preste atenção, não abra mão dos próprios sonhos. Não tem perdão, não deixe de sonhar. Não deixe de sorrir, pois não vai encontrar quem vá sorrir por ti” (Não deixe de Sonhar — Chimarruts).

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Ana Luisa Almeida
Aprendiz da vida e da engenharia. Idealizadora do Projeto "O que aprendi na Engenharia". Jovem Ponte, Engenheira Química formada pela UFBA, atuando como Engenheira Trainee na Kordsa Brasil. Nascida para espalhar sorrisos e gratidão ao redor do mundo, com o Coração sempre no ritmo #GoGoGo.

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